sábado, 27 de dezembro de 2008

200 Postagens e mais nada me muda


"É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.
Voz e vento apenas
Das coisas do lá fora

E sozinha supor
Que se estivesses dentro

Essa voz importante e esse vento
Das ramagens de fora

Eu jamais ouviria. Atento
Meu ouvido escutaria
O sumo do teu canto. Que não venhas, Dionísio."

Hilda Hilst

"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo."

Veio-me assim, de súbito esse trecho de Caio Fernando Abreu e senti-me angustiada, inútil e cheia, absurdamente cheia de saudade e incapacitacão.
Porque no fundo, sempre fica um grãozinho de areia do nosso passado que a gente tenta esquecer, mas que parece uma assombração que vai aumentando até sair pela sua boca na forma de uma bola de incertezas gordurosas. Você sabe, todo mundo sabe que o que mais nos assombra somos nós mesmos e nossa capacidade de memória emotiva rasgada e suja, e o cabelo oleoso que escorre idéias absurdas de metafísica e existencialismo.

"Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio."

Lavando com água e sabão a minha boca de palavras que não são minhas, eu caio feito bebê começando a engatinhar, mas eu não choro, eu não choro por covardia, porque o choro tá entalado faz horas aqui no goela, e sai raivosamente pelo dente, porque os olhos estão congestionados dos pensamentos formulados antecipadamente.
Tem dias que tudo está na beira do abismo, que a mão fica formigando, o pé lento, a cabeça pesada. Se eu pudesse fazer alguma coisa agora seria, sem dúvida, voltar no passado só pra sentir de novo aquele gosto de sorriso deslumbrado. Aquele sorriso falso e o cheiro inesquecível de sabonete hidratante. Torturo-me com isso em dias que vão e que vem. Agora não é sempre nem todo dia, mas são recaídas de saudade que eu tenho não tanto de você, mas de mim. Eu me encontrava em você, eu sabia quem eu era, e eu tinha cada minuto contado entre o estar em mim e sairmos de nós mesmos. Mas a vida corre, a vida corre... é preciso continuar mesmo estando plantada e concretizada num passado azedo com cheiro de enxofre. É momento, entenda, depois eu estarei pensando em outra coisa, limpando os óculos e fotografando em preto e branco alguém sorrindo que eu nem faço idéia de quem seja, mas é preciso continuar e ver outros sorrisinhos engraçados e outros cheiros de sabonete.
Porque nem tudo é como queremos...mas a lembrança é boa. Sempre foi boa, não nego. não minta também que você não queria, mas o problema é que eu vivo o momento. Entende? parei naquele momento e só. E você parece camuflar e se restabelecer em qualquer situação. Ahhh..! Eu nem sei porque estou escrevendo sobre você. Já faz tanto tempo.Talvez quando minha velhice chegar, aliás, velhice não, mas alguns anos a mais, umas lamebranças a menos, eu ainda continue escrevendo baboseiras. Ou não...posso sair dessa vida que só a gente sabe o quanto sofre, mas o quanto é gostoso sofrer pra ver o que vai sair literariamente!
...E muda em mim apenas o tempo, a roupa, uns cabelos crescem. Você, meu bem (des)amado de tempos remotos, vai ser sempre uma personagem minha. Tudo não passou de delírio e alucinação! Tudo não passa de momentos alcoólicos de um cheiro inexplicável.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

- um rápido pensamento -

Tem que tá muleque...
...pra aguentar essa barra
pra deixar a saudade tomar conta
pra chorar feito criança com 18 anos
pra aplaudir de pé
pra engolir sapo, boi , humanos
pra crescer e deixar tudo
pra ter o coração do tamanho do mundo
e a mente do tamanho de um pingo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A Vingança - Do Ato Indireto ao Prazer Humano do Pecado

" ...mata a alma e envenena "


Foi assim, que pensei, ó meus caros leitores, depois de um sentimento doce e quente vindo do meu eu mais profundo. Mas logo meu prazer e vingança veio à tona, deixando de lado qualquer culpa, qualquer sentimento de pecado. Nunca me senti tão ser humano como tendo esta infâmia deliciosa, este sabor de vingança. Mesmo sendo indirecta. Este prazer imenso e gozante sobre a desgraça alheia. Esse prazer estonteante vindo de mim mesma, eu, tão intacta e pensante. Eu, a mais suspeita dos seres humanos. Se a vingança mata a alma e envenena, perdão meu povo, mas estou deliciosamente envenenada. Mas, não foi de todo (aliás,não foi directa e activamente, com nenhum pingo de participação) minha. Não foi. Apenas peguei emprestado tal sentimento. O ato não foi meu, De maneira alguma...Recuso-me a aceitar punições. Mas me punam, punam, que estou em chamas de prazer. O sorriso coringa e interminável, como se o gás de tal me tomasse conta.


Pensei então, meio analisando as formas e personalidades: Sentir prazer na desgraça do outro é tão humano que me chega a doer o coração. Olhos vermelhos de tanto calor.


Ri, ri, ri, ri ,ri feeeeeito um infame tendo cócegas e bailava ao som de um jazz com uma cartola verde na cabeça cobrindo um olho. Eu riiiiiiiiaaaa interminavelmente . Não há como explicar.


Um ano e... por mais que demore e o seu corpo corroa, por mais que o seu coração pulse já fraco, o tempo ( ah,o tempo, meu amigo inseparável, meu pior inimigo, um aço quente na pele) ... o tempo há de ser virar em mostrar um caminho. Há sim, não é possível que factos passem em branco. O que virá a mim, virá a todos. E veio mesmo, não é mentira, senhores membros do júri. Digo, com palavras concretas : A vingança veio. E eu ouvi isso da boca de meu temível e desaparecido coração tão longe. E pensei: O amor há de ser amor mesmo que acabe. Acabando, também era amor. Incrivelmente parecido. Coincidência demais para suportar!


E os ventos sopravam no rosto e no cabelo e as pernas tremiam...a natureza nos favorece. O tempo está ótimo para tal situação. Acabo-me em ironias que me divertem. " Mas... as coisas são assim mesmo" ou " e está tomando remédio para depressão?" ou " Depressão? Parece-me tão bem,sorridente e saltitante" ... e respondem-me com vozes fracas, com olhos me olhando do chão e as olheiras pulando de tanto chorar: "Pára, isso é sério ".

" Oh,perdoe- me "


Oh! Perdoe-me... Perdoo-me(te), anjo esfarelado. Em tempos remotos de tons melancólicos e românticos eu escreveria, num ápice de sofrimento: " Era tão pura a idéia, era a mais pura que alguém pudesse encontrar. E agora, meu Deus, o tempo muda tudo . Já não é aquela que conheci em flores e violinos, mas um corvo que me dilacerou e foi dilacerado "

Perdoe-me de ser humano. Eu precisava sentir.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Desvario Roedor Cerebral

Caso um dia eu morra, por favor, toquem a Pastoral de Beethoven. Symphony n°6 em F Maior Op.68. Contento-me com um violino bem ao lado do caixão. Bem, eu queria que minhas cinzas fossem jogadas ao mar, mas essa beleza musical combina com uma romaria até o cemitério. Bem, encaixem-a em algum lugar.
Caso um dia eu case, por favor, não me julguem. Alguém um dia vai ter se unir a mim. Alguém que seja, uma pessoa desvairada, cega, surda e muda. Não... alguém. E pensando bem, poderiam tocar a mesma pastoral. Porém, quero que toquem Bitter Sweet Symphony do The Verve. Sim, a própria, com direito a violinos. Mas eu não quero muitas pessoas assistindo. Malemá vai um padre.
Bem,caso um dia eu nasça de novo, que me façam do mesmo jeito. Mas algumas poucas mudanças. Podem diminuir o um pouco o meu nariz, pôr uma dose de atrevimento, um pouco de disciplina. Coloquem, se possível, duas asas com penas (de anjo) e um rabinho vermelho com pontas de garfo. Não me deixem dormir muito tarde lendo livros e nem me façam ler tantos. A vida é um livro que eu escrevo.Não me façam querer entender algo que nunca se entende. Caiu o pote de tinta e borrou tudo. Borrei-me. Meu irmão, ninguém sabe o que estamos fazendo aqui. Senta então na sua poltrona de coro legítimo, descansa esse corpo sôfrego e essa alma tão cansada, e finge que tudo vai bem . ' Mas tudo vai bem' .



Toquem a Symphony N° 9 . A Nona Sinfonia... e assistam de camarote à minha desilusão vital. Ao meu pleno engano . Ao espetáculo mais infame e desvairado de toda uma pequena e mísera vida. Peguem os leques, pois o calor é muito, e abanem-se caras damas. Nunca sabemos quando pode ser o fim. Estaremos intocáveis e muito bem trajados para o grande espetáculo.


...para o GRANDE ESPECTÁCULO.



Foi aí que eu me perdi mesmo em sons...entre violinos e flautas eu corria e corria sem nem saber por onde andava. Sem nem saber qual era o próximo lugar de sabor amargo que eu encontraria. Sem querer saber porque que é que essa maldita solidão me pegava e enfiava-me num saco preto e abafado e me deixava lá, no fim de um mundo colorido, no fim de mim mesma.

Não ouvia absolutamente nada. Os violinos e flautas e tambores haviam sumido. Um zumbido começou lá longe. Meio mato meio cidade. Meio povo meio eu.
Fiquei, intacta. Cada movimento me doía mais a alma. Um dedo que se mexia era alguém me martelando na cabeça. Um olho virando era um agulha que me enfiavam no outro. Eu já não pensava. Até meus pensamentos paralisaram. E eu não poderia mesmo continuar pensando. Parei. Movia apenas a mão sem pensar em absolutamente nada. Não me doía tanto.

O saco foi expandindo-se. Eu inteira virei um rato. Um rato branco e asqueroso. Eu comia lixo. E me batiam com vassoura. Mas eu não pensava na vassoura. Mal se quer eu pensava.
Mal se quer agora eu pensava. O rato continuou. Eu...eu fiquei. Nada mais me mudaria. Qualquer corpo, qualquer olhar, sempre seria eu mesma em mim, mil vezes, presa e contornada por cinzas.
Não pude . Voltei ao saco preto. Voltei às dores do parto. Voltei ao meu desvario ilusório de que... de que há sempre uma saída.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Conto Inútil de Leitura Moderna de Cássia

Elizabeth rolou no chão depois de uma cólica muito,mas muito forte. É claro que isso não tem a ver com a Lei de Mendel e suas ervilhas. Muito menos com a Lei de Kepler e seus sons distantes ou perto. Bem,que seja. Que ligações têm,neste mundo, as coisas? Toda. Pior que é..mas ainda não encontrei uma ligação nisso. Bem,o pensamento. O pensamento nos une, o pensamento é capaz de viver qualquer coisa nessa mera vida terrena. O Mundo das Idéias. Ahm.

Elizabeth perdeu seu cachorro para a Natureza.É,ele foi atropelado por um carro qualquer num dia qualquer numa ocasião qualquer... mas ele ainda não morreu na mente dela. Pode estar vivo,vivíssimo.

Mas essa história também não tem absolutamente nada a ver com essa história. Entende? Quando não se tem uma linha a se seguir? É isso. E isso reflete-se muito bem no que eu escrevo. Minha falta de disciplina é explícita.

Só queria conhecer Elizabeth. Aliás, eu queria ver a cara dela enquanto rolava pelo chão do quarto, aliás,pelo tapete do chão do quarto. Uma cara de dor eterna. Uma cólica que a come por dentro. (estou dissecando a cena). Visualize: Quarta-feira. Três horas da tarde. Elizabeth,depois de chegar do colégio, ao entrar em sua casa(que não é uma simples casa,mas uma casa adoravelmente aconchegante e grande),passa por vários cômodos até chegar ao quarto. Joga sua mochila e livros em cima da escrivaninha que abriga muitos papéis,uma luminária e canetas coloridas. A mesinha revirada. Tira a jaqueta do com o emblema do colégio e joga em cima da cama. Liga o rádio. Tira o tênis...dá para ver suas meias brancas,com listras cinzas em cima. Está tocando,hm,deixe-me ver, Puts Your Records on - Corinne Bailey Rae...ela vai até a cozinha,pega um copo de água gelada e volta para o quarto. Senta-se na cama,com ar de cansada...pensa em alguma coisa...levanta e tira a calça do uniforme. Calcinha,meias e a camisa. A música tocando. Vai até o guarda roupa pegar alguma coisa,abre a porta e... vem uma dorzinha. Uma careta feia. Uma dor...dorzona. Uma dor insuportável. A mão vai na barriga,outra segura a porta do guarda roupa. A dor é grande. Eu disse: GRANDE.

Elizabeth. Quinze anos. Desmaiou no seu quarto. Bateu a cabeça na quina da cama. Ao que se diz ela não soube explicar a dor tremenda que teve. Assim descreveu :



- Eu estava bem,muito bem. Veio uma dor insuportável. Mas é uma dor muito grande.MUITO GRANDE. Insuportavelmente grande.

Ao dizer isso,deitou a cabeça no travesseiro e morreu de dor. Ninguém morre de dor. Mas ela,por incrível que pareça,morreu. Eliza (ou Beth,como preferir) foi morta, não por algum assassino numa noite fria e escura com um tiro na cabeça. Mas morta por uma dor que vinha dela mesma. Um dor insuportável de viver. Num pensamento mais vivo que a própria cura.

- Eu dizia que a dor era muito grande, quase dessas de quando o coração bombeia muito o sangue e parte em dois. Se abusar, é bem mais.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Um borro em mim. Caí e fiquei.

Eu não tenho mais noção alguma de tempo e espaço. Perdi a noção de futuro, do que fazer, o que seguir,que caminho tomar. Mais jogada do que eu já era. Mais ao chão do que formiga morta.
E aí, me pergunto: ' O que Cássia,o que é você nesse mundo? ' " Qual o meu papel nessa marmelada toda? ' . Porque quanto mais você corre,mais você tropeça. Mas eu tropeço mesmo caída. Fico estática como uma múmia.
Preciso de forças para continuar. Aliás,preciso,além de tudo de sabedoria. De planos,metas e caminhos objetivos,que é o que eu nunca tive. Resumindo: uma disciplina.
Chega uma hora em que não dá mais para ser tudo ' ao Deus dará ' . ' Que seja o que Deus quiser ' ou, não tenho um objetivo fixo. Okay,mesmo se eu tivesse, e eu até tenho, mas... o que fazer?
É uma luta constante entre eu & eu e eu & sociedade. Como disse alguém: ' É , não adianta, a gente tem que entrar no sistema ' . Resistir pra quê? Cadê nossos sonhos que nos movem? Disso estou,sinceramente cheia. O que não me falta são sonhos. Mas eles não me trazem um caminho concreto. E é isso que me deixa mais inútil, mais decepcionada comigo mesma. Chega uma hora que não é tão legal não saber o que fazer da vida. Aliás,não saber o que vai ser. Fazer, eu quero fazer muita coisa. E daí ? ' Vai lá e faça ' - uma voz interior me instiga . Mas quem sou eu dentro de um todo? Adquirir conceitos. E segui-los?
Eu caí feio. E esse tombo é pra me fazer continuar. Nada é certo. E se eu venci ? Vencer o que? Quando? Nem tudo na vida são troféus. E a maioria,creio eu, são pontapés e decepções. Aquela velha história de estar sempre em avaliação. Um julgamento constante que não sabemos onde dará. E se soubéssemos?
Sei lá. Tudo me parece um borrão de fumaça e as pessoas mais tristes do que parecem.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

T e R : - Ensurdecedor -

Ao amanhecer, acordamos de súbito,olhamos o relógio e pensamos,com aquela cara de tédio, sono e cansaço : " Mais um dia..." Mas ainda não é hora,ainda falta 2 horas para 6 e meia da manhã,mas sua cabeça ainda está lenta,seus olhos grudados e a boca amarga.
Ela sabia que tudo nela era absurdamente sensível. Seus olhos eram os mais sensíveis: à luz, ao movimento e às cores. Sem contar que, ao olhar pessoas, tudo era trasmitido a ela. Um toque que fosse,do dedinho mínimo da mão, fazia brotar um vulcão de sentimentos. Sabe,hoje em dia alguém tem que sentir. Não dá mais para viver nessa superficialidade robótica tecnológica de século XXI. Literalmente, ode ao Interior Humano e à Sensibilização dos Sentidos.
E se ela sentia,tudo assim, à flor da pele. Imagina os ouvidos como não ficavam ao escutar o despertador.
Trrrrrrrrrrrrrrrrr - TTTTrrrrrrrrrrrr . Como se não bastasse aquela balbúrdia toda durante 9 horas naquela empresa de meeeeerrrrrrrda.
Trrrr trrrrrrrr BLÉM.
A mão voa no pininho. Agora sim tinha que acordar. Agora sim ela diz :" Mais um dia..."
O quarto numa penumbra. A persiana fragmentando a luz que passava e ela,em si, sentia-se fatiada . Close na faixa de luz nos olhos,meio abertos,meio fechados. Depois a mão passaria lentamente para ofuscar a luz e limpá- lo...
Se ela gostasse de alguém seria... seria do colega de trabalho que viajou à trabalho. Foi pra Natal, enquanto ela agüentava o caos urbano de São Paulo.

- Sortudo !

Sentia o perfume dele de longe. Pisava na frente do prédio e ... quase desmaiava. Tanto pelo perfume, quanto por não ter tomado café da manhã. E há tempo?
Porra,alguém tem que sentir. Sentir a fome concreta. Desmaiou...mas foi porque um táxi a atropelou em plena Av. Paulista. Sentiu,pela primeira vez a cabeça quente e fervendo (geralmente seu coração fervia e latejava) .

- Pulso?
- Reanima,reanima!!!

Ela sentiu o gelo de uma mão que a tocava. Era a dela mesma.

Pi pi.... piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Tudo aquilo foi como uma explosão à 3 centímetros do ouvido.

-Reaniiiimmaaa!!!

Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Morreu.
- Sinto muito.
- Sinto-me muito. - como um plasma verde olhando em volta
E ela, a última sentimental da face da Terra, foi o fim da espécie humana. Ninguém a salvou.
Sentiu?
TTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
O caminhão jogando terra.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Acima de tudo: nós





" Quem é que tem pudor quando gosta?"



Essa é a pergunta da Alaíde na minha boca.

Todos têm pudor?

Até onde somos capazes de ir?

Uma mistura de ganância,egoísmo e impudor.


Eu quero ver até onde chegamos.







quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Naquele tempo de praça.

- É ruim envelhecer,neh?
- Nem tanto...Mais ruim ainda separar dos amigos.
Enquanto eu conversava com meu amigo que mora em São Paulo,lembrávamos dos velhos tempos de beber na pracinha de cidade do interior. Meninada em peso. Aliás,mais meninos do que meninas. Eu,quase a única. Tempos de colégio, de marcar de assistir filme na casa de alguém, tocar e cantar na praça. Pouco tempo atrás,mas parece que nossa vida passa num piscar de olhos.
...mas parece que nossa mente escorre sobre o tempo.
Mais ainda é ver cada um ir pro seu canto. Trabalho,faculdade, outras pessoas.
Cada lembrança boa. Risadas intermináveis.
E se eu pudesse fazer tudo de novo,eu faria.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Piando

Piu piu piu
lero lero
Piu
Lero
Lero Lero

Piu
Um piu
Dois piu
Piu piu
Lero lero piu

Afu! Fu fu fu!
Piu!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Um acontecimento qualquer

O cheiro de laranja na minha mão.
Sabe,quando chupa laranja
e fica cheirando a mão
mesmo lavando.
.lavando mesmo
mão a cheirando fica e
laranja chupa quando,Sabe
.mão minha na laranja de cheiro O

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

- Vou Te Levar -


- Um dia,quando nos conhecermos, eu vou ficar com você até você enjoar de mim.

- Vou me colar em você.



E se por um acaso se levassem pra sempre? ssssssssssssssss

Nem cola,nem sinal,nem nada os pararia. Nunca. Nunca mesmo,como se isso fosse uma lei,nem tese,nem teoria. Lei . Assinado e reconhecido firma,digital posta e ainda um beijo com batom.

A Lei do Para Sempre. Como um poção mágica.Um conto de fadas .


-" Não queremos mais nada nesse mundo."


O que os prende longe? Separa-os ?

A vida nos escapa como uma ave assustada.


Eu vou te levar pra sempre comigo.

Vou te levar ...vou te levar

Levar-te-ei . Vou sim.

No longe,no abiiiiiiiiismo entre dois extremos.




terça-feira, 11 de novembro de 2008

Um Lapso de Giratória

Gira e gira e gira com o vestido branco rodado. No meio do terreiro . Lamaçal. Lambuza o rosto.
Gira e gira e gira com o pé pequeno marcado. Um círculo do giro. O rosto lambuzado.

Câmeras. E a gente move o mundo numa lente. Ou somos nós que nos movemos?
Somos nós que nos movemos?
Tudo que eu vi não é o todo absoluto. Nem eu sou um todo absoluto de um eu eterno.

Gira e gira e gira. Tudo o que eu queria era girar.
" Roda mundo,roda gigante,roda moinho,roda pião,
o tempo rodou num instante nas voltas do meu coração"
Nem que eu caía e o meu vestido se rasgue. Que eu caía e o meu vestido se rasgue e rasgue junto a minha pele. E rasgue junto a minha mão e o sangue seja borbulhante colorindo o vestido branco e marrom. E caia a chuva e venha o sol,venha vento e me amarra num lençol. Ata-me no linho e na seda. E o pé gire o corpo. E o corpo gire tudo. E o tudo gire em nada.
" Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há
mas heis que chega a roda viva e carrega a roseira pra lá "
Espeta o espinho no meu braço e vê se ele sangra. Gira a roseira,gira o espinho,gira a roda viva.
A vida rodou. Eu rodei também. O que eu tinha agora é pó. O que eu tenho agora é vida.
A roda viva. " Ai,que me gira".
- Ô,sinhôzinho,quié que caiu aí?
- Foi o meu fumo,sinhazinha.
- Foi o teu fumo,foi?
- Fumo eu.
- Fuma você.
- Fuma você.
- Dá cá que fumo eu.
E ela ...ela .... ele... nós...você...é,é você. Sumiu. Sumimos. Rodou.
- A roda viva rodooooou.

domingo, 9 de novembro de 2008

Acordando





É tudo mentira. Eu sei.





sábado, 8 de novembro de 2008

Será que é pintura?

-O seu sorriso é seu ou é de quem o vê?

Deixa eu te contar,antes de você ir dormir,que você me é tão bela,e isso você já sabe,porque não me canso de dizer isso,mas é que não tem como não dizer. E como você me disse que estava lendo textos,depois do meu silêncio quase absoluto, quis que você lesse isso. Isso...porque não é um romance aos moldes de José de Alencar, mas,queria que tivesse algo pra você,já que a distância me é obstáculo para te entregar algo em mãos.
Aliás, deixe-me dizer outra coisa: Você fica linda de cabeça para baixo com os pés na parede. Mas mais linda ainda como uma fada encantadora no meio do Pantanal. Isso é sério,não me leve por brincadeiras.
É que as coisas acontecem assim,de súbito,que nem deu tempo de respirar e eu já estava assim,quente quente e paralisada conversando com você.
Será que você tem ursinhos e dorme abraçados com eles? Só vi um sapo invejado por terceiros.
O que é você?
Se eu estivesse em fumaças diria que era um quadro surrealista de Dali,não? Com certeza. Depois te daria tapinhas para sentir se você era de geléia mesmo. Mas,é muito mais além,ou muito mais simples do que eu imagino.

-Meu Deuzu!

O que é tudo isso? Todos os menininhos te entregam alianças? Como eu disse,azar o deles. Ou sorte.
Que eu quero te ver dançar todos os tipos de dança, até a dança da chuva, que você vai parecer uma atriz de cinema,ou uma super modelo nas lentes da minha camera.

Uma flor. Uma luz nos olhos.
O seu sorriso é .... ? ? ?


palavras num papel de pão
é a sua sinceridade bela
é a sua malandragem única
é a sua mistura de Estados
o seu cheiro que eu não conheço

? ? ?

É um dilúvio de sentir-se bem.
Que é o que eu sinto quando converso com você.
Silêncio Absurdo

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

- O(s) Mundo(s) -

O que é que podemos fazer no mundo das palavras?

- TUDO .

Posso até espancar a minha mãe . ( Menina espanca a mãe) .
É como uma peste. Peste. Ou não. A Peste pode rolar apenas de um lado.
Mas eu,a menina espancou a mãe dela. Bateu a cabeça. Chutou e pulou.
Irreverente? Criminosa?
Hipócrita aquele que diz que nunca fez isso. Ou pelo menos dizer que nunca teve vontade.
A menina morre de ódio. O menino é ... um nada. Não interferiu. Porque se a menina quisesse
também o espancaria. Viraria notícia de jornal depois. A imprensa toda caindo em cima.
Sabemos que isso é sensacionalismo da mídia. Todos adoramos ouvir notícias trágicas.Por que somos no fundo (falsos) moralistas e não fazemos nada de errado. Queremos na verdade, ver o inferno alheio para podermos ficar intactos no nosso pensamento corrosivo e infame.

- Eu cansei de hipocrisia e superficialidade.


" O inferno são os outros"

Jacqueline




Ela queria escrever.Escritora deve ser interessante. Quem sabe ser nada e sair pelo mundo como uma garota que sabe apenas o nome da rua onde mora. Dezessete anos e passava horas e horas na escrivaninha,pensando e rabiscando papéis. Idéias iam e voltavam. A luz fraca,a cadeira dura,a mão num tremor de angústia.

Jacqueline, deixe-me pensar, poderia ter cabelos muito compridos,ou cabelo curto com um óculos moderno listrado de vermelho e branco no aro. Jacqueline é a menina que eu queria conhecer. Jacqueline deve adorar se aventurar nela mesma. E é também o que eu quero,aventurar-me nela. Será mesmo que ela usa óculos de aro listrado?

A vida dela é uma música deliciosa que me deixa a pensar se eu também não tenho trilha sonora. É calmo no começo,e eu percebo que a vida dela não é tao monótona assim.

Ivor poderia ser um suposto namorado. Mas creio que o rosto dele,apesar de bonito,esconde muitas infamias. E Jacqueline deve adorar maltratá-lo. Internamente é claro. Ela não seria capaz de tal ato assim,explicitamente,numa ferocidade animal e instinta. Quem sabe,talvez,um dia isso não acontecesse. Um dia,sim. E seria o dia.

Ivor é um bêbado marginal adolescente. É um mauricinho também. Entende? Hipócrita. Jacqueline não chegaria a tal nível.

Disseram-me de um conto,escrito por ela, no qual Ivor morreria de overdose.Overdose psicológica,porque ela falaria tantas coisas a ele que o deixaria completamente drogado. Uma droga psicológica. Nada de química ou erva natural. São palavras. Palavras que o atingem. Era Igor no texto. E Jacqueline era ela mesma,nua e crua na sua sanidade insana de escritora.



"É sempre melhor no feriado/Muito melhor no feriado/É por isso que nós só trabalhamos quando precisamos de dinheiro"



É claro, trabalhamos com a única finalidade de nos incluirmos no sistema capitaista consumista selvagem. E Jacqueline não era completamente inserida nesse meio corrosivo. Mas,como qualquer outra,ela também tinha suas necessidades. Vendeu um de seus contos. Um,apenas um,e ganhou breves considerações com algumas notas,que ainda teve de voltar troco. Gregor. Ivor. Jacque-line. Dezessete anos nesse drama individual.


- Quero conhecê-la - digo a mim mesmo.


Talvez um dia. Ela agora,limpa a lente de seus óculos com aro listrado. Embaçado e engordurado. Enxuga o suor escorrido nos olhos com as costas da mão. E pensa que,se um dia ela tivesse que morrer por alguma coisa,esa coisa seria liberdade. Porque ela acreditava piamente na Liberdade. Batatinhas ou dinheiro?


- Jacqueline?



"É sempre melhor no feriado/Muito melhor no feriado/É por isso que nós só trabalhamos quando precisamos de dinheiro"



O que querem dizer com isso? Feriados são castos e entediantes. Não são entediantes porque são castos,mas são castos por serem entediantes. E a única coisa que ela fazia era escrever e escrever e matar as pessoas de overdose psicológica. Feriados ela ganhava dinheiro. Saía de casa muito raramente e bebia com os amigos. Não que ela adorasse fazer isso sempre,nem que gostasse de bebidas alcoólicas,mas,se eu a conheço pouco,ela faria isso por pura tridimensionalidade vital. Coisa que eu ela não faria escrevendo. É como se o mundo real fosse o mundo literário. E vice e versa. Mas ela precisa de dinheiro... e toma leite e limpa o óculos.

Jacqueline morreu mesmo aos dezessete anos. Overdose literária. Pelo menos na vida real...ela deixou confundir-se. É facto que ela ainda vive. Claro que eu não queria que ela morresse. Aliás,eu ainda nema conheci.



"Ela pode te retornar o rosto que você está encarando"

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Borra a lente o espelho me nega

O espelho não mente quando falo pra ele que o que me prende é essa maldita ressaca pornográfica. Basta observar essa cara deformada em mil pedaços humanos,com o olho remelento,o lápis e o batom borrados.

Ele me pergunta: " O que você sente agora?"

E se eu respondesse,eu o teria partido em mil pedaços. Mas diria que eu sinto absolutamente nada. E é pra sentir? É só pra gritar e achar que está dando tudo certo.Que a vida é supimpa e que tudo vai às mil maravilhas.
Porque,se você não sabe,meu anjo, as pessoas são o paraíso sem problemas. Mas espere,que tem alguém batendo na porta.



- Quem é?



Ninguém responde,apenas batem numa frequência absurda entre desespero e desejo.



- Quem é? - pergunto novamente num ar entediante



Ninguém responde. E agora pararam de bater.

Não vou atender mesmo que agora digam quem é. Aliás,o meu discurso na frente do espelho era muito mais interessante. Pelo menos pra quem adora maritirizar-se com uma bela maquiagem a lá Coringa. Digaaam-me,borboletas do banheiro,o que te prendem aqui?
Se eu soubesse o que me leva a fazer as coisas. A energia que me impulsiona,esse espelho berrante batendo na minha cara dura e borrada. Oito horas de trabalho é pouco.Muito pouco. Pouco em vista das outras 5 que passo me olhando. Mas não é narcissismo não.Não,por favor,não pense isso. É que eu tento encontrar alguma coisa que valha a pena eu continuar. Uma pinta que seja. Uma pinta para ver se sou eu mesma.
Tudo bem,tudo bem, canalhas são para sempre.

- Quem ééééééé?

Batem novamente na porta.Mas não respondem,que queremque eu faça? Morra?

Mais forte ainda.

- Porra,meu,o que é? Vai falar quem é ou vai ficar essa putaria aí?

Resolvi que vou abrir. Em passos lentos. O corredor me pareceu outro agora. A porta quase num estrondo. O espelho em mil faces. O relógio em loucura dilatada. Afinal,que porra é esse que fica batendo?

- Porra,mew. To indo.

-Estava indo mesmo,mas lentamente. Curtindo cada passo,cada assoalho,cada respiração. Um ódio de ouvir aquele barulho.Que batesse mais,demoraria mais para abrir a porta.

- E agora? - pensei.

Abri.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Falsas Juras de um Falso Amor ps: Te amo


" Juntos chegamos num ponto coerente entre o que é amor e o que é você "


Óh,estrela cintilante do meu céu ! Sempre ou nunca mais?

Da última vez que nos vimos,senti-me afundado em uma areia movediça,como se eu ,e somente eu,sofresse por tudo que passamos.
Há mais de dois anos e você nunca me ligou. Não me respondia, a carta ficou intacta,não mandei. Sabia que você não ia ler,nem sequer responder-me numa aflição. E é pra ser assim e será.
Vai ser sim. Porque nós não temos mais nenhuma ligação amorosa,amigável,ideológica ou musical. Musical até sim,em certas partes,quando eu escuto trechos de músicas que escutávamos juntos e lembro-me que nada mais foi do que aquilo que vimos e sentimos. Nada além. Não nos aprofundamos no buraco negro,porque nem buraco nós tínhamos. Entende? Foi superficial. Mas eu queria tanto essa superficialidade novamente,porque com ela eu me sentia o falso mais verdadeiro da face da terra,eu era a futilidade bela com você.
O que é pra ser realmente é ?

- Eu te amo,xuxu!

- Também te amo,coração!


Olha como somos. Quase chegamos ao ápice do prazer e do amor. Quase...porque não tínhamos o buraco negro que nos fazia ser apenas nós,eu e você numa fusão.

Era eu e era você. Poucas,muito poucas vezes foram "nós" .

E eu me pergunto...o que é você sente agora? Você é assim mesmo. O passado não deve ter influenciado tanto na sua vida. Já faz muito tempo. E crescerei com isso. Crescerei pensando que nunca vou crescer,porque quando nos conhecemos éramos crianças,e eu ainda sou uma. Sou absolutamente parado no tempo. No espaço não,porque a distância,é facto,nos separa. Mas nada nos separa mais do que nós mesmos. Nada nos separa a não ser nossa ânsia de procurar outra coisa. E a gente procura e não acha. E nem vivemos essa desilusão que é procurar alguma coisa e não achar,porque nos prendemos miseravelmente um no outro como se não houvesse mais nada para conhecer ou amar.Nos prendemos sim,você sabe. Porque eu sei que você,apesar de toda essa sua aparência de auto suficiente,você ainda remoe gata grão de sentimento por mim.
Uma porra de uma aparência cretina que vivemos.
Mas,óh,olha,escuta,ouve,meu bem. Daqui pra frente pode ser que nos encontremos. Ou pode ser que nunca mais vamos nos sentir falsamente como antes. Pode ser que o mundo se volte contra eu e contra você e cada milésimo de segundo que vivemos,cada respiro pode nos afastar mais. E a nossa trajectória seja desviada a cada passo que damos.

E o amor que você havia me dito? A-mor? a-mor? a-m-o-r . Nenhum,definitivamente.
Mas eu,no meu muquifo fedorento que vivo,penso que algum dia,você voltará em minha direcção e dirá: Eu não sinto absolutamente nada por você. E será nesse momento que o nosso amor será o mais verdadeiro da face da Terra. Sabe,pelo menos você parou e pensou muito em mim até decidir que não sente nada por alguém que nunca sentiu antes. E o seu pensamento será todo meu,os seus olhos serão brilhos no meu olhar. E eu te direi com toda palavra e som:
Eu te amo.

Pêssego,suspiro e leite moça.

Nada como uma segunda-feira ociosa. Depois de uma semana intensa totalmente teatral,clowniana desencontrada e atores furados,vejo-me obesa e asquerosa comendo uma coxa de frango,aos moldes de Dom João.
Mas não é coxa de frango e nem obesa estou ainda. O pêssego adoça-me e a calda escorre no queixo.Quase que preciso de um babador. Lambuzo-me.
Eu não me conheço. Isso é facto. (lembra-se dos factos ? eles existem independente do meu pêssego em caldas) E eu não saber quem eu sou é o facto mais facto de todos os tempos que eu descobri há uma semana.
Imagina uma bolinha de gude. Uma bolinha de gude qualquer, transparente,pequena. Ela é a sua essência,é o seu eu verdadeiro,sem qualquer máscara. Agora imagina que essa bolinha,aos passar dos anos,vai adquirindo camadas de poeira,sei lá,cimento,ou outra coisa qualquer que tampe o material natural dela. Esa energias são as energias que tampam a sua essência . São como máscaras,energias de sedução no seu eu escondido. E chega um tempo que as camadas são tantas,que o buraco é tão fundo que não se pode encontrar-se. Toda essa contrução de anos e anos valeu para me esconder,para mascarar-me e sinto-me como uma verdadeira falsidade. Agora preciso descontruir-me para me encontrar. Virar tudo de cabeça para baixo e tentar ser o mais verdadeira. É aí que encontrarei minha essência,o meu clown digno e verdadeiro.
Eu quero,eu quero,eu quero.
Chego até a pensar se eu realmente sinto prazer em comer os pêssegos. Se um dia eu realmente fui verdadeira,se eu realmente perdoei alguém,se os beijos que me deram e eu retribui saíram da bolinha de gude ou de alguma camada. Queria sentir o que é verdadeiro pelo menos uma vez na vida. E se eu fui,foi-me tão valioso e grande ao ponto de eu resgatar?
Os pêssegos numa viagem incalculavel para chegar até minha boca e eu não dar valor a isso?
Vou para o buraco negro.
- É lá que eu quero estar.

Suspiro. O leite moça é complemento,uma camada.

E a sua bolinha de gude? Já é uma bola de basquete?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Qual será que foi o primeiro pensamento universal?

O primeiro desejo?

Aquilo que fez o mundo engrenar. Os desejos pessoais,a ligação entre as pessoas,a sequência de objetivos.
Tudo me é tão absurdo.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Cones,Cipriano,Cones

20 de outubro de 2008.

Um infantil encantador. Um rostinho belo e calmo.
Só o grito. Grito de desespero.
Segurou a minha mão.
Sugurei a sua mão.
Seguramo-nos.
Segurar.
Cego

Cego
Segurar
Seguramo-nos.
Segurei a sua mão
Segurou a minha mão
Não mais o grito desesperado.



- Arani -


Deixai-me contar que lá do sul veio um vento soprando e soprando e
caiu em minhas mãos pequenas como se fosse de um bebê.As minhas mãos.
E adormeceu durante segundos. Disse-me palavras que não se segura na mão,mas se guarda pra sempre,na mente,na saudade,no desconhecido quase conhecido de poucas horas.
Era uma criança. Mal falava. Olhava-me com olhos brilhantes e eu,em plena ternura,
agarrava-me aos meus olhos que se agarravam àqueles.

Lá do sul daqui do interior.

O que acontece é que depois,de anos e anos,crescemos .E crescemos.
Lembranças.
Não quero crescer,mas vou crescer. As minhas mãozinhas de bebê crescerão.
Os olhinhos ...
As mãozinhas...

E aí vamos ter crescido,crescido,crescido.
Anos e anos e anos.Oito anos,dez anos.
E eu vouuuuuu visitar meu passado.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

É meu e único poder


A única coisa que eu tenho realmente é esse muquifo empoeirado e solitário. Só. Unicamente num fato comprovado em cartório e assinado: Cássia Oliveira.
O resto,perco em esquinas e no tempo. O todo eu perco para os outros fatos das outras pessoas,que não me têm como componente essencial.
" ...e no final você tem que contar só com você."

Embora eu ainda não tenha chegado ao final. Bem,estou numa fase totalmente incerta do meu futuro próximo.
Aquela bolha densa de antes (ou de sempre) tomou-me conta de novo.
Quase como numa frase de Plínio Marcos: " todo mundo se arranja e eu pareço afundar na lama"
A-fun-dar. Uns parecem vir pro mundo pra sentir o peso dele mesmo em conjunto das outras pessoas que nem conhece. É um aglomerado terrível de sentimentos.

Eu não sei perder.Ou até sei,demais,que perdi o valor. Eu cansei de papos mundanos,de conceitos conservadores,de pessoas inexistentes,de pessoas que moram longe,de pessoas que nunca mais vou ver,de mim,do meu mundo,do mundo,do mundo em geral,das várias visões sobre um dado.

Mas não vou desistir sem ter chegado ao final.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Os Factos. Cap I


Chega um momento na vida em que,em razão dos fatos,a única razão de existirem é por serem justamente eles mesmos.

Os fatos serão sempre aquilo concreto, que é jogado na sua frente,na sua cabeça,como uma bigorna de desenho animado. É aí que entram os sonhos. Eles servem para amenizar a queda da bigorna. Para elipsar os fatos concretos e pesados da vida.

Queira ou não queria,decidi,olhando-me no espelho,ser franca comigo mesma. Disse-me "não" várias vezes,na tentativa de me impor alguma disciplina,algum controle que possa reger minha vida descontrolada de tempo e espaço. O que rege o ser humano,por mais liberdade subdesejada e inexistente que ele tenha,é a disciplina. São os fatos detalhados . Menos concretos,para se tornarem um todo objetivo. Um todo real cru e frio. Um vácuo.

Foi aí que tentei abrir os meus olhos, num pedaço do caminho que não se pode nem recuar e nem parar. Falei-me com todas as letras e dicção possível: " Os fatos existem por si só . Assim como as Idéias existem por si só e nos tomam conta" ...ainda não contente: " Não adianta,há coisas que não se mudam".

E então, num pingo de realidade,que não tenho há anos, senti-me um ser humano cru e frio. Na crueza e frieza boa. Libertei-me da minha liberdade individual para amarrar-me,de súbito,na liberdade universal. Uma gota num piscar de olhos. A realidade cassiana em conjunto dos faotos reais universair vai ser sempre a mesma ladainha. Assim como qualquer outra que se misture. Apenas mudam-se os nomes.

Como uma lavagem cerebral. Como uma realidade minha irrecuável. Há dias em que só nós mesmos para nos satisfazermos. Há dias em que terceiros nos parecem um bicho de sete cabeças. " Não tem ninguém que mereça ".



- Breve: O mundo dos Factos


quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Velha Infância Imortal

Mamãe não me deixava tomar banho e sair no vento. " Não saia na friagem,menino" .

Não saía mesmo. Aí mamãe disse uma vez também que tomar leite com manga faz mal,e eu nunca entendi o porquê,mas morria de medo de tomar.Nunca tomei. Talvez depois de grande eu vá saber se posso ou tomar ou não.

Eu sei que é bom ser criança porque eu sempre posso jogar vidogame depois de terminar as tarefas. Porque adulto depois que termina as tarefas não joga videogame,sempre vai dormir por causa da canseira. E eu também posso brincar com os meninos aqui da rua. Nós jogamos bola todos os dias e de vez em quando soltamos pipa. Os vizinhos às vezes nos xingam por que gritamos muito,mas isso é normal.Tem uns meninos que não sabem jogar e ficam brigando com todo mundo,então a gente fica discutindo horas pra ver quem joga melhor ou quem começa com a bola.Na escola minhas notas são boas.Até hoje nunca tirei um C. Sempre A ou B,mas nunca C. A quarta série é a mais legal. Nós brincamos de pega-pega na hora do recreio e as inspetoras ficam bravas com a gente porque não podemos correr pela escola.Sei lá,acho que têm medo da gente cair e se machucar,mas criança adora correr. Eu gosto de ser criança porque não preciso assistir jornal na tv,nem me preocupar com a bolsa de valores que sempre falam e eu nunca entendo nada. Mas eu adoro assistir o Tom e Jerry comendo sucrilhos.

Eu gosto de ser criança e ninguém entende isso,porque ser adulto é chato. E eles acham que temos que crescer pra se tornar um igual eles. Eu nunca vou crescer...só se eu puder tomar leite com manga.



quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Há tempos

Só uma palavra para quem precisa apenas de um olhar.

Aquele olhar que te atravessa e seus neurônios e sinapses paralisam num instante extasiado.



SINTONIA



É o que minhas frequências não batem.


sábado, 27 de setembro de 2008

Escondida,a minha lágrima.

Eu queria uma lágrima alheia. Só uma.

Uma ânsia bateu de repente.

Não que eu te amasse intensamente,mas eu juro que eu um dia eu queria te ver.

Eu vou me deixar em frangalhos.

Perdemo-nos no tempo e espaço.


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A contradição perfeita dos seres (im)perfeitos

A eterna contradição existencial entre as mesmas coisas que se completam: elas também se separam. E isso eu ouvi da boca de uma menina. E olha,ela tinha todos os argumentos possíveis para qualquer tipo de assunto. O máximo.



FIM


terça-feira, 23 de setembro de 2008

Liberdade em cena de cheiro inodoro.


"...e no final, tudo acaba em sexo ou em morte. "


UM,DOIS,TRÊS e abre a porta. Acho que agora sou um homem livre. Acho que agora não quero liberdade. Vivi preso e impotente durante boa parte da minha vida.Você,o que acha que eu tenho
? O que eu acho que eu tenho? Prazeres incompreendidos. Vida presa na minha liberdade de não ter liberdade. Porque quando eu bati na sua porta,você estava conversando com outra pessoa,com outro cara talvez,e não soubesse mesmo onde estaria minha toalha que você me emprestou para eu tomar banho e usar o seu champu e usar o sabonete que você usa e a pasta gosmenta que refresca nossas bocas,mas você não sabia onde estava a toalha e eu não sabia onde eu estava. Eu juro que eu não sabia. Tudo era um borrão de imagens num cheiro de banheiro úmido de vapor,de toalha mofada e dedos tocando o lençol carinhosamente e com medo.


ARRANCARAM a pele do meu dedo,como uma manicure arrancando a cutícula com alicate de electricista. E eu tremia e tremia. Além disso eu não sei. O que eu espero é que pelo menos eu não espere muita coisa,de mim,de você,nem dos meus pais. Meus filhos,quem sabe,se um dia os tiver. A minha barba rala e o rosto cheio de feridas,sangue seco,casquinhas enjoativas num tom vermelho-vinho-bege.Talvez ninguém espere nada da vida. Mas no fundo eu sei que o coração quer perfurar o peito e bater lá fora,nas mãos de alguém ou andando de bicicleta,mas nos seguramos,fortes e com medo e então toda a perspectiva de vida eleva-se em fumaça,em nada,em respiração debaixo do chuveiro com o seu champu e o seu sabonete. Os seus dentes,a sua gengiva,a sua garganta. Os seus amigos para lá e para cá num domingo à noite,como moscas perdidas na luz mortal. Eu e você virando os olhos e tomando uma caipirinha para passar a dor de saudade que só eu sentia mesmo estando palmos distante da sua voz.


A SUA VOZ me é conhecida. Juro que já ouvi isso em algum lugar.Será é que sua mesmo? É você?


DO MEU PEITO surgiu um enorme lagarto que uma vez eu sonhei ter comido;acordei com os seus dedos tocando o lençol carinhosamente e com medo de alguma coisa,era do lagarto? Era a minha mão nas suas costas,porque eu me lembro exactamente que você dormia de costas para mim,com medo de alguém nos ver juntos na sua cama,do lado que você não gostava ou não estava acostumada a dormir. Eu não sou o lagarto,se é que me entende;eu não sou quem você pensava. Sou o cara que você que você tem não na vida real,mas na sua fantasia de moça adolescente,o cara que mora longe,esquisito e anti social. Eu sou uma idéia.


MORRI de tanto gritar do meu lado de dentro,o meu lado de fora calmo e sereno,via os seus olhos derramando um lágrima de um olho. E eu gritava e gritava e você chorava,não me escutava,não entendia,ou não queria entender. A liberdade é relativa e a minha prisão era você naquela sala escura da minha mente.


DEITADO do lado direito da cama,sentindo-me um prisioneiro-carrasco de algum conto de Kafka,eu vomitava nos lençóis que antes foram acariciados por você. O meu cheiro de noitada bêbada com um toque de abandono,o meu cheiro oco de verme alcoólatra na sua cama,misturando-se com o cheiro de sabonete que o seu pescoço deixava no travesseiro. Ao todo era um cheiro único de noite azeda e sabonete vaporizado. Sabe, essa imagem de banho fica na minha mente e não sei se é nojo ou se é higiene.


JÁ NA ESTAÇÃO eu deixei minha liberdade caminhando sobre cabeças desconhecidas que talvez cheirassem igual ao seu champu. Mas eu não quis saber que cheiro tinham ou se eram carecas.

Eu morri. A sua idéia morreu logo após abraçar-se à você,como um vampiro vira pó ao ver a luz do sol. Dissipei-me-te. Morri para sempre e agora vejo uma lágrima em apenas um olho,a sua mão no lençol e a sua bebida em cima da mesa,e você...você eu não sei.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Gorda metro

Uma mulher no metrô. Por volta de uns 50 anos. Gorda e peituda. Uma saía florida parecendo pano de cortina.O cabelo meio preso e meio caído.

- Você...ow,você.Porque não sai do lugar para os mais velho sentarem? Sem educação. Seus pais não ensinaram que tem que dar lugar pros mais velhos? Minha perna doendo,inchada aqui...e você com essa bunda colada no banco. ( o metrô vai freiando) Que estação ée essa? Voce não vai descer,menina? Ou vou ter que ficar falando o caminho inteiro pra vc me dar lugar? Hein?
( tropeça ) Aiii..minha perna.

- A senhora quer sentar? - pergunta a menina

- Oh,obrigada! - responde uma velhinha.

A menina tropeça na gorda que tropeçou.

- Era só o que faltava cair em cima de mim...

A menina olha com olhar de desprezo. A gorda chega na estação,tropeça,cai na escada rolante e desmaia.

- A senhora não tem vergonha de ficar dormindo na escada rolante enquanto um monte de gente quer passar? Vamo. To atrasada!

A menina pula a gorda e vai embora.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O que é solidão?

Senti-me hoje como uma formiga esmagada pelo vento,pelo tempo,por alguém...e esse alguém sou eu.
Pergunto-me:O que é solidão?
Perguntei-me num longo espaço de tempo: O que realmente vale a pena? O que realmente levaremos para outro lado?
Outra pessoa? Nosso amor próprio-egoísta-único? Levarei-me em experiências únicas. Experiêncas que poderiam ser intensas e outra que poderiam ser amenizadas. Mas já foi.
É que realmente a vida é um sopro de tempo. É ir sem querer ir nem querer ficar. Voltar para trás é covardia nostálgica.
Não há ninguém que eu vá encontrar? Confesso: Vivemos em espera (em busca) de um amor sublime e maior que qualquer outra coisa desse mundo surreal e denso. Porque já não me copleto mais. Até certo ponto sobrevivemos de nossas forças. Sobrevivo,(em questões inteiramente internas) de mim mesma. Absorvo-me em questão de minutos. Às vezes dias. E absorvo passivamente outras pessoas que passam por mim e que nem se quer encontrarei mais.
Olharam-me num olhar nunca antes penetrado.Pareceu atravessar meu cérebro todo e encontrar o outro lado. Tremi. Tremi mesmo que subiu-me um calor frio e ventoso. Olhei para trás...mas o olhar continuou seguindo em frente,intacto. Paralisado no meu.
Não sou apenas eu em um todo compactado. Mas sou outras pessoas. Há tantos olhares em mim. Há tantos perfumes,essências,arranhões,mãos.
Sinto-me sozinha mesmo assim. Preciso absorver o mundo inteiro e ainda assim não estarei saciada.
Solidão é você se alimentar de seu amor.
É estado nítido de que o frio é sempre frio sem uma lareira ao lado.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Fantasiando um Segredo


Quem tem um sonho não dança



A Bete Balanço
e a Cássia Oliveira

Pode seguir a tua estrela agora...

Breve - Até breve - Atende

ALLLÔÔÔÔô,Marciano
Ah,some! Some !
- Olha aí,aposto que está conversando com a empregada! ..Não,tá fumando e tomando um café com o Felipe. É,é isso.
E fica imaginando o que faz,o tempo,se o planejamento do fim de semana já começou na segunda,o porquê de sumir.
- Alô?
- Ana?
Monopolizar-te-ei. E essa mesóclese ficou estranha,mas eu sei que te agrada.
- Ah,que voz bonicta!
- Haha... (meio embriagada)
O sol fundiu-se na terra. Quando é que essa terra vai ver a Ana?
- Ah,demora! Talvez nas férias...!
Caiu por terra.
- Estou com saudade.
...
Desliga o telefone.
- Acho que vou dormir. Ah,como é boba! Ah...ahhhh...!AHHH.. (num ataque repentino de euforia)
Discando. Discando. Espera...
- Alô?
- Teee gooosto taaaaanto.
PLAFTTTTTT. Desliga.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Meu sangue ferve e minha cabeça lateja


Tatuí,9 de setembro de 2008.

Meu caro,

Tudo o que eu quero agora é que essa dor de cabeça passe.
Interminável. Há dias que estou assim... não,não tomo remédios.
Remédios são drogas. Mas não nego que já os usei.Quem não usa?
Não sei,mas minha dor está aumentando e eu nunca fui de ter dores de cabeça.
Sexta-feira passada fui doar sangue. Senti-me a mais sublime e solidária das pessoas.
Efusiva,emocionada. Na verdade eu estava fingindo que estava tudo bem,mas por dentro de mim borbulhava algo que eu nunca antes senti. É uma sensação absurda de fervidão com medo e emoção. Minha primeira vez de doar sangue. A - . A negativo. Só recebo de A negativo e O negativo. Que tipinho chato de sangue,hein?
Bem,o facto foi que,depois de ter doado,fiquei muito emocionada,vermelha,vendo meu sangue todo embaladinho naquela bolsinha trasnparente indo para a caixa de refrigerção. Ma-ra-vi-lho-so. Bem,ai as enfermeiras me deixaram de castigo por uns 5 minutos na cadeira. Mas eu estava bem,muito bem... podia levantar,correr,dançar. Fui até a cozinha para tomar um suquinho de laranja que elas me ofereceram. Alegre,contente e satisfeita. Coloquei o suco no copinho e minha cabeça estava pesada e minha vista escurecendo. Bem,aí eu sentei na cadeira e vi que eu estava com algum amigo meu. Eu estava na minha cama,dormindo tão angelicalmente que de repente,vejo alguém batendo no meu rosto e minha garganta numa ardência. A enfermeira assoprando-me acariciando meu rosto numa expressão de " volta,Cássia". Minha cabeça doía e doía.Eu não sabia onde estava e assustei quando pensei não estar na minha cama. Comecei a assoprar num saquinho plástico e dei-me conta que estava estirada no chão da pequena cozinha. Ah,meu amigo... era a primeira vez que eu havia desmaiado na minha vida. Mas foi uma sensação muito gostosa. Se eu não tivesse voltado,estaria dormindo um sono agradabilissimo,sonhando e sonhando. Porque eu realmente tive um sonho relâmpago e fiquei brava quando acordei com a enfermeira dando tapinhas no meu rosto. Eu quase falei: " Ah,deixa-me dormir". Mas dei-me conta de mim e da situação nada agradável.Bem, fui paparicada por pelo menos uma hora,sentada numa poltrona inclinável muito confortável,com um ar-condicionado na fuça e tomando chazinho com bolachas. As enfermeiras preocupadas,vinham toda hora conversar comigo e tivemos uma conversa muito agradável.Eu e a enfermeira padrão. Muito bela e simpática. E eu sorria,meio acanhada e envergonhada do acontecido enquanto ela perguntava: E aí,baixinha,melhorou? " . Baixinha? Alguma enfermeira já te chamou de "baixinha". Uma graça. Aí ouvi mamãe buzinando na frente e fui embora,alegre e contente e com a cabeça ardendo. Mas sendo uma doadora. Aliás,doar sangue me fez sentir mais humana,mais útil. Foi como se eu saísse de um estado intacto de ser e passasse a ser maleável. Nobre.
Bem,a partir daí minha cabeça fica latejando quando chega umas 20:00 h. Que seja.
Estava precisando me preocupar. Estou precisando escrever tanta coisa Talvez sejam as palavras entupindo meu cérebro e ele fica tão efusivo e borbulhante que começa a latejar.
Leite em pó,açucar e uma gota de água misturados,parece beijinho.
Doar sangue é uma loucura extasiante. Bem que eu precisava procurar outros meios de me embebedar. Embebedo-me literaturamente,fotograficamente,observando,desenhando,concluindo,escrevendo e às vezes no método tradicional: ingerindo álcool. De preferência vinho. Branco ou tinto. Vinho branco é bom acompanhado com uva Itália e cerejas na cobertura de chocolate. Divino. Vinho tinto é bom acompanhado de polenta com molho ou só com balas sete belo mesmo.
Minha dor de cabeça está passando. Também,desentupindo-a...o que não pára de doer?
O que é a dor em decorrência de nos sabermos? Quem nos sabe? Quem nos bebe?
Eu bebo tanto de mim mesma,mas embebedo-me dos outros. É como se eu vivesse em sede constante de querer absorver o próximo. Dedico-me inteira à mim e ao sentimento universal que rege cada partícula humana.


Abraços e beijinhos

e carinhos sem ter fim




Cássia Oliveira


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Valsinha Quando me Lembro

Não tenho o que escrever
estou tão saturada de tudo
entupiu-me
e entupiu mesmo que nãos ai nada
embora tenha um vulcão jorrando lava dentro de mim
É que eue scutei uma valsinha
e me lembro de coisas que eu nunca vivi
nem vi
e misturam-se com as que eu vivi
e ainda vivo
porque todo meu pensamento é uma borbulha
quente mórbida da minha vida
Eu sou o ser resumido em nada
em egoísmo e inutilidade
porque está tudo tapado
e eu já não vejo nada
absolutamente na-da

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A Saudade

Do latim:Solitate.Pesar a ausência de alguém.

A saudade é aquilo que não tem mais nome.É um estado sólido eterno.
É pesar e chorar e rir ao mesmo tempo.Porque não há mais o que fazer.
Sonhar . Hoje eu sonhei. Sonhei .
Dei-me conta de que é algo que sempre estará em mim.
Faz parte de mim,faz falta em mim,para mim e comigo.
Porque no fundo eu não aprendi a não sentir saudade.Nem aprendi a não gostar
mesmo fazendo tanto tempo e eu mato-me sozinha,aos poucos,como se um dia a saudade fosse passar....Mas não passa,nunca passa.Pode fazer anos,cair tempestades,nevar no sertão
o sertão virar mar e o mar virar sertão mas a saudade,não,a saudade sempre será saudade...
no meu coração que pesa sempre a sua ausência,o seu cheiro e a sua essência.
Pode o mundo acabar,pode,sei lá,Modigliani pintar meus olhos sem conhecer minha alma,mas nunca vou deixar de sentir saudade.
Porque eu sou inteira saudade. Eu sou miseravelmente saudade.
Resumo-me na mediocridade de histórias aleatórias.
O ano passa. Eu passo sempre.
A saudade é o meu choro de toda noite...apertando o travesseiro.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Dôo o meu coração

É que eu quero que o meu coração seja de outra pessoa
que bata forte e chore
e seja eterno.
Que o meu coração carregue só a bondade
e o resto fique neutro.
De outra pessoa apenas.
Que eu não vou conhecer,porque eu não quero conhecê-la
nem posso conhecê-la. Só será dela o meu coração
assim,inteiro,nem metade,nem um pedacinho dele
Inteirinho. Que seja...
Posso dar toda uma vida.
Um amor. Novos amores.
Novas histórias. Uma graaande história
E é isso que vai me valer a pena
É isso que me vai fazer valer a vida
que eu vivi tão calma e compactada em mim mesma
Quem sabe ele não terá novos amores?
Novos amigos?
Nova pessoa revivendo no meu coração.
E ele bate,bate,bate...
e vai bater sempre
em outro peito.
Mas enquanto isso, o encho de mim.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Desenho

Sua voz rabisca-me de vermelho cereja
ao mesmo tempo que o papel se amassa num molhado de lágrimas
E eu,que evaporo em fumaça de cereja,desenho-te
em riscos rápidos e fortes
como se eu quisesse que aquele desenho saísse do papel
e virasse você
em preto e branco
num lápis B6 já pequeno de tanto apontar
e o papel sujo,minha mão suja,você indiscutivelmente suja
porque sua beleza não é mais a mesma
uma beleza suja pelo tempo,pelas pessoas e pelo pensamento
Mas a voz..! Ah,a voz!
Inigualavel voz suave
de sono e de mãnha
que acorda aborrecida
com um pesadelo
com o telefone tocando
e limpa o rosto com uma mão enquanto se apóia na cama com a outra
E o desenho dança enquanto sua voz rouca ecoa
a ponta do lápis não é mais a mesma
nem meus dedos são mais os mesmos
porque você toda surgiu em cinzas num papel
o papel queimando no cesto
e as chamas,de início pretas e brancas
tornam-se um furor de laranja,vermelho e amarelo
e um azul roxeado que parece que sua voz
assoprou e assoprou e aquilo
queimou-me
as mãos,o peito,o rosto
e fiquei completamente surdo
e quente,
vendo que tudo aquilo tinha essência de cereja
vermelho cereja
que saia do seu lábio
do som doce do seus lábios que atingiam meus olhos e ouvidos
e todos os sentidos nunca antes sentido
quando você surgiu como fênix daquela chaminha já fraca
do desenho
do preto e branco que é minha vida toda rabiscada.

sábado, 23 de agosto de 2008

Asco social tatuiano

Sociedade tatuiana numa mediocridade sem tamanho
Senti-me num ninho terrível de futilidade e aparências. Bem,nesse mundo de aparências eu confesso que fiz/faço parte...nunca podemos nos doar inteiros para esse mundo tão vasto e superficial. Porque o que realmente interessa não nos é mostrado. E então temos de conviver absurdamente com pessoas asquerosas de baixo nível moral e social(no meu termômetro de sociedade).
Tudo o que quis foi tirar um silencioador da bolsa,projetá-lo gentilmente em cabeças amigas e...( ). Negócio feito. Um,dois,três a menos para respirar o ar,poluir a atmosfera,fornicar vida alheia,futilizar nossa po-pu-la-ção e um sorriso a mais em meus lábios molhados de raiva e incompatibilidade.
Isso fez-me pensar muito sobre o que é T-a-t-u-í .
Ta-tu-í é e sempre foi uma cidade de pessoas de mente absurdamente pequena,de base social escassa e de projeto de vida questionável.
Sinceramente,ó meus queridos tatuianos, senti-me envergonhada com meus semelhantes.
Pior: sou completamente indefesa. Não passo de uma experiência viva que,sinceramente,eu não sei o que será no futuro. Bem,isso é um passo para trás. Não saber o que será no futuro é um pulo no mesmo lugar. E terceiro: pretendo realmente ser alguém num futuro.Isso é um passo para frente.
Incomodo-me sim com pessoas que me subestimam a inteligência.
Pais,por favor,eduquem seus filhos queridos.
Escolas: incentivem o senso crítico.
Tatuí: Construa centros culturais.
Pessoas: Arreganhem suas mentes.
São Paulo: Espere-me.
Cássia: Acalme-se. O seu semelhante é pura coincidência do destino.Porque eu realmente não quero ser uma tatuiana fútil ... muito menos esbaldar-me em aparências.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

The Cure cura e a cena é a mesma

É fim de tarde e o sol projeta a sobra da minha cabeça na parede.
É segunda-feira e o dia anda tão entediado que nem eu me reconheço de tédio. Nunca senti o tédio como o estou sentindo agora.
Veja... tudo se repete. Enfadonhamente. O ciclo natural terrestre. O sol nasce e se põe. E o ciclo da água é o mesmo.
Dilatadamente nossa vida vai. Mas aí quando se ve já é tarde.
É fim de tarde e um ventinho frio começou a correr. Que bom,pelo menso aquele calor de inverno brasileiro já amenizou. País tropical é isso mesmo. Paciência.

Drip drip drip drip drip drip drip drip

Drops.
Veja...eu nem tenho mais aquela ânsia da vida.
Olhe lá,o passarinho nasce,aprende a voar e vem seu predador e ...acabou.
O maior predador do mundo.
O meu cabelo fica estranho nessa sombra. É que eu não penteei. Nunca o penteio.Besteira,não saio para lugar algum. E ele é interessante tendo vida própria. Nem eu tenho vida própria,olha só a vida que ele leva. Deixe-o livre.
Essas revistas de moda lucram em cima da sua feiura,meu bem. A publicidade é tão simples... só te fazem sentir mais feio e gordo,mesmo você pesando 45 quilos. Pa-ci-ên-ci-a.Eu é que não vou me submeter a essa euforia de inter-relação econômica e estética criada pela sociedade. A sociedade é da elite e o povo mesmo é que se dana.
Duas faces da mesma moeda.

Já é fim de tarde,e o sol é melancolicamente belo no seu repousar.
O silêncio e o canto dos pássaros.
São Paulo.
Ficar alguns minutos no trânsito respirando esse ar poluído é como se você tivesse fumado de 10 a 20 cigarros num dia. Morra.
(pelo menos sua mão não fica cheirando cigarro)
É morte lenta
é uma delícia
viva a vida.


Até o saco da pipoca doce está vazio.
Eu é que estou de saco cheio.
SINCERAMENTE

drip drip drip drip drip

a torneira.
É,eu ouvi isso numa música.

Travei-me

Um desespero!
sinto-me desesperadamete parada
atolada
Essa sensação bruta e contínua de que eu não saio do lugar e
fico
fico
como se alguma coisa me prendesse pelos pés
e não
não crescesse mais
não evoluisse
progredisse
Desenvolvimento
Subdesenvolvimento
Teoria da Modernidade
E eu aqui...
Ah,Drummond me entenderia.
Alguém me dá um copo da água
e poesias
que o resto já se foi tudo mesmo
de mim
tudo
tudo se foi
ontem eu percebi que hoje
e amanhã e depois e depois
seria absolutamente a mesma coisa

domingo, 17 de agosto de 2008

ciclicamente tedioso e fedido

O tempo é o que eu vejo passando enquanto eu fico pensando !

Nisso já foi dezoito anos.
Nisso já se foi cinquenta.

O que é que?
A gente fica aqui vendo . E...tudo passa e eu fico.

A psicologia tende ao sexo.
E o sexo tende ao tédio.
O tédio tende à psicologia!
A psicologia tende ao sexo.
O sexo não entende de tédio.
O tédio é o ódio
o ódio me consome
o calor me consome
a psicologia explica

Não explica
que meu
no seu coração
explode
e eu espirro
partes do meu corpo

Seu dedo caiu
na privada
depois de cutucar
a sua bunda

e aí o esgoto foi
foi
foi
e você respirou seu dedo
que tá poluindo

ESSA MERDA TODA!

Não cala mais

- quem cala consente.
O bicho tem mais pé que minha imaginação. É que o pé dele vira mão também e gruda em você. Gru-da em você.Você se gruda em você mesmo.

O Antônio é assim: Chega em casa de noite e acha que eu sou escrava dele. Que a comida tem que tá pronta,a cama arrumada e eu pronta pra fode. Já nem ânimo tenho mais. Chega um tempo,minha filha,que a bunda já tá mais grande que o zóio,e aí é que não dá mesmo. Não dá,eu já disse pra ele que se continuar assim eu saio de casa e ele que se esporrinhe todo nessa tapera.
o coração sofre.Não sofre menos que a bunda,mas sofre. Nunca gostei dessa idéia de que home tem que se reproduzir,reproduzir. e aí a mulher que explode. A mulher que se acaba inteira. E os filho? Nasce,cresce e deixa a gente. Isso quando não acaba com a gente na teimosia.Os meu,eu não tive. melhor assim,não sofre nesse amargo da vida.não quero filho pra sofre do pai ruim e da mãe puta. Puta do pai mesmo.
Onde é que fica minha vida? Enfiada no cú.No cú mesmo...no meu,do Antônio,do filho que num veio e dessa gente cretina que come a gente vivo e seca o zóio de fome.
Come e passa fome. Aí é mais um número no jornal que os doutor le,é só mais uma quenga escrava que morreu. Melhor pra eles,nisso eles num tem culpa porque morrer é natural do home. Que a culpa deles era em vida. Porque pra morre basta tá vivo. E pra tá vivo é que é essa daninhera toda,unha e dente e bunda se esfola. O resto eu conheço de cor,que o resto é nós.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Da praça aos olhos azuis

Para Daniela dos Santos





É que foi assim,os bancos fizeram-se em divã e o divã misturou-se na minha imaginação junto com o azulacinzentadodecéudedomingo dos seus olhos. Mas não era domingo,era ...quarta-feira. Como de costume...!Será que ela sabia que bala Sete Belo com Vinho não combinavam: Mentira. Achei a combinação perfeita. Mas tudo bem,a gente sempre se entende. Fica assim como não fica.

É que ela não gosta de aula de Literatura. E aí perde o tempo comigo na praça,bebendo,dizendo coisas que (como eu já disse a ela)me fazem parecer a mais boba e ridícula. Não,ela não me xinga,mas...a voz é tão doce e a sabedoria tão além que,é,é de se ficar quieto e ouvir.

Desculpem,mas vocês,ó meus senhores membros do júri não sabem que a minha amiga é um Anjo (e eu digo:é alado) . Ou seja,numa amizade angelical criamos asas ( não é de cera...quero uma de penas) e como tradição,tomamos aquele Dom Bosco em copinhos de plástico e canudo.


Um Anjo! Um Anjo!


Palmas e trombetas!





Não sei fazer poesia. Ou até sei,mas o momento não foi de poesia. Carta,dissertação,prosa..que seja. É,mas eu ,eu escrevi do mais profundo amor do meu coraçãozinho vinhesco e setebelesco.


Não vou falar seu nome(já falando no começo dessa o que quer que seja...).É estranho pronuciá-lo inteiro. Anjo já resume você muito bem.





Muto bem!


Muito bem!





Abraços carinhosos para você
cheeeioos de...de..peninhas das minhas asas.

Num segundo o teu no meu

( para ler escutando Melodie ou em silêncio mesmo)
Para ALF


Foi de repente,num clarão em chamas do meu peito,que consumi-me (te) do seu sorriso.
De repente mesmo,sabe,que eu nem vi nada passar por mim. E então entra aquela cena que te falei,que congelou-me dos pés à cabeça(juro,estou tremendo ainda),tudo no plano de fundo embaça e aparece só você.
É que eu ...eu...(suspira)de tão quente e cor-de-salmão que fico,embaraço-me,mas acho que saí-me muito bem quando disse tudo aquilo,até caiu a temperatura. E o medo,a ânsia e o mal estar triplicaram num raio psicodélico,aí minha vista ficou toda colorida,embaçada,aguada,seca,minha boca pedia água e meus braços pediam você.

"Fure o dedo faz um pacto comigo
num segundo o teu no meu
por um segundo mais feliz"
O sorvete de frutas não vende por aqui não,menininha. Eu te disse que vai ter que pedir Sonho de Valsa,sem mais. (na verdade vende,mas tem que fazer um charme). Porque quando você vier o mundo ou vai parar ou vai girar incontrolavelmente numa velocidade absurda que nos jogará numa nuvem única e pomposa.E o sangue vai pingar assim,ploc ploc nela,porque ai meu peito terá dilacerado de tanto calor e alegria.
Já é bem de madrugada e eu estou aqui ainda,pensando porque o Felipe não foi mandado para fora da sala,e injustamente aquele professor só mandou você (pecadinho) pra fora. Bem,pior pra ele que ficou sem sua beleza extrema dentro da sala.
Os tracinhos na parede vão aumentando e os suspiros também. Mas aí o tempo é inversamente proporcional aos tracinhos. Que bom,a matemática às vezes me proporciona. A Natureza em si me proporciona.
Estou num plasma cor de rosa.Melhor,vermelho. (é mais atraente).Num plasma,uma bolha, imensamente feliz dentro dos seus olhos.
Nada com nada. Fica tudo espalhado como ficam meus livros em cima da cama.
Agora é Ditadura. Monarquia pode ser menos encrustrado,é um caso a se pensar.
Consumir-te-ei em fumaça e chamas em mim.
Afinal,o vinho é tão doce que acho se eu não morrer naquela nuvem pomposa de alegria,eu morro de diabete. ( e você é um docinho djiii....
....
......)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Da rotina não seguida

Não acendeu cigarro nem charuto. Ela não fumava. Mas naquele dia resolveu que ia entopir os pulmões de câncer em fumaça. Ela eu digo em terceira pessoa que sou eu mesma.
Incrível como as pessoas pagam para morrer. Eu roubei a morte.
E esse moquifo que é viver em São Paulo.O medo toma conta até dos pêlos pubianos. Não há cigarro que aguente,não há folêgo que suporte o baque,meu bem,a qualquer hora eu serei metralhada embaixo de um viaduto enquanto ele me diz que viver sob risco de vida é adrenalina pura,adrenalina pura é cortar o pulso e jogar álcool,aí sim,a lágrima escorre no rosto e salga sua boca já seca de tanta fumaça,de tanta amargura nessa vida.Trabalhei o dia todo pra dizer que faço alguma coisa nesse mundo...e o dinheiro vai todo em garrafas de vodka. Aí eu perco tudo num vomito e vai tudo pro Tiete,que me intoxica horas naquele trânsito que entope qualquer artéria. Só bebendo pra escapar disso. Mas agora com essa merda dessa lei ,que não pode mais encher a cara e perder a vida,ja fica até sem graça. a loucura que despita a realidade pelo menos no final de semana já era. Cadê o governo atuando:
é que ele nao sabe que o medo tem endereço e documento...alias,acho que nem documento tem que aposto que está dentro de um saco jogado em algum riberão escroto. O moquifo fede. A vida fede. Essa fumaça de tosse fede. Não pode fumar que é proibido. Beber é proibido e agora que eu curtir uma velocidade toda malucona também é proibido. É proibido morrer alcoolizado. De fome não é proibido.
Criatividade...idade...calúnia.
Cadê aquele telefone que você tinha me deixado: Sumiu,neh. Já nem posso te ligar,porque você deve estar se esfregando com uma aí. E já cansei desse teu papo que não sabe com quem fica,com quem dorme,se ama ou se não ama. O problema é seu,ninguém é de ninguém. Não atendeu o telefone porque:depois vem com essa de que gosta de mim. Men-ti-ra.
Que nem saída há mais,o que me leva a isso é uma força maior,porque nem fé a gente tem pra seguir.Fé a bebida eu tenho. Besteira.
cade aquela carta...ahm,ja nem sei onde enfiei.. Devem ter queimado em algum baseado aí.
Que o mundo é negro nesse mercado.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Tão repetitivo!

Teve uma vez que encontrei uma correntinha assim,no meio da calçada!
No meio da calçada!
No meio da calçada!
Foi quando eu vi que era minha mesma e percebi que estava andando em círculos!
Em círculos!
Em círculos!

Eu ainda o tenho em mim

Ontem foi dia dos pais.
Não tenho uma opinião formada sobre isso. Um dia dos pais. Todo dia aliás é dia de todo mundo.
Eu e meu pai.
Meu pai se foi. Mas ele continua sendo meu pai,só não pude pegar em sua mão e dar-lhe um abraço sentindo aquele perfume só dele. Nem abracei minha mãe por ela ter sido meu pai também.
Abracei outras pessoas,mas...o meu pai não.
Para mim foi um dia qualquer. Um domingo qualquer,ocioso,comilão,10 de agosto.
E hoje...é só 11 de agosto.