segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Pandeguinha
(inclusive o porquinho-da-índia que me deram quando eu tinha seis anos)
esse poema é engraçadinho
e hoje estou alegre pra coloca-lo
hoje estou alegre
ps: claro que ele é engraçadinho, pq ele se chama Madrigal tão engraçadinho.
hoje estou pândega
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Só estar melhor
Nunca fui de ter dores de estômago. Aliás, nunca tive. De repente, num raio de duas semanas pra cá tive essas coisinhas chatas. Não consigo fazer nada, nem pensar. Aliás, não me sentia mal de todo, parecia que estava bem com minha mente. O dia estava lindo, porque diabos me senti assim?
Resolvi não me entregar. Joguei-me embaixo do chuveiro derramando água fria. Passou por uns instantes o mal estar. Eu parecia estranha no meu corpo. A água caia. Tentei sorrir e cantar, mas não saia nada. Fiquei quieta, o silêncio me fazia bem até. O silêncio. Não me entreguei. Troquei de roupa e fui, com muito pesar, para a padaria comprar Gatorade . Não tinha comido nada e já eram 6 horas da tarde. O sol estava ameno. Aquela merda de padaria não aceita cartão de crédito e então voltei resmungando pra casa, sem suco e atordoada. Caminhei bem lenta pra faculdade. " Devagar e sempre" , falava comigo. Um peso imenso em mim, um calor chato. Estava gostando tanto de ti, calor. Por um momento desejei que chovesse e me molhasse toda, resfriasse a cabeça, o coração, os olhos.
No fundo tinha algo remoendo aqui dentro.
No fundo a gente dói mais do que pensa. E pensar parece ser mais superficial do que sentir. Mas procurei não pensar nem sentir, deixei que as palavras fluíssem e como sempre, elas fluem. A vida flui. Você vai, jogado num rio, a correnteza te puxa, muitas coisas passam. E passou, levemente meu mal estar. Consegui voltar pra casa, dormi bem, um leve lençol pra me cobrir.
Hoje acordei bem. O mal estar havia passado, num passe de mágica. Como diria minha avó: " parece que tirou com a mão". Continuei sem comer, não senti fome. Me alimentei de água gelada. Um gosto meio amargo na boca. Me olhei no espelho e ainda me via estranha. Pensei que poderia caminhar mais tranquila hoje porque o céu está com muitas nuvens, nuvens grandes, e elas tampariam o sol forte e me fariam sombra. E alguém lá em cima me guardaria por um momento, me tiraria do fluxo intenso do rio e me deixaria calma entre a sombra das árvores sem querer nada, só estar melhor.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Leões
1
2
6
Hoje vi um campo florido. Quase todo dia vejo na verdade. Pensei em milhares de coisas e uma onda imensa de palavras caiu sobre mim. As palavras que eram suas. Um campo florido. Eu não peço tanta coisa e estou contente com o que tenho, mas a única coisa que eu não tenho me deixa nervosamente triste. Me faz, mais uma vez, estar no fundo do poço arranhando a terra e comendo-a. Nunca vi tanta ironia e maldade do destino. Nunca me senti ilhada e jogada dessa maneira. Afinal, há sempre um novo modo de dor.
9
Um mantra. Você vai se lembrar de mim: quando sentir o vento batendo no seu rosto; quando vir um campo florido com flores amarelas( vermelhas, roxas, líriios, rosas...); quando o céu estiver azulzinho e o sol, de leve, banhar teu rosto sereno e lindo. Vai se lembrar quando ouvir Stereophonics, Rita Lee ou qualquer bobagem do Cazuza quando estiver no teu quarto olhando para o teto ( será que você ainda pensa em mim?). Quando ouvir Pink Floyd, Yael e aquela musiquinha Toxic cantada por ela. Minha imagem virá na tua mente quando você beijar outros lábios, e sentirá um agulhinha te enfiando no coração, um tremor no corpo, um vinho. E vai se lembrar de mim quando reler minha carta e vir meus bilhetinhos jogados em qualquer canto do teu quarto. Vai se lembrar de mim quando alguém de São Paulo te ligar. Quando a água da chuva cair sobre você e vai abrir o guarda chuva lembrando que um dia dançamos embaixo dele. Quando, sem mais nem menos, olhar para a lua e ela cintilando em cima de nossas cabeças, porque sabemos que ela também está sobre minha face. Quando sentir um cheiro de champu. Quando comer Passatempo. Vai se lembrar de mim com cara de sono. Vai se lembrar de mim com algum café na cama. Em noites chuvosas vai se lembrar de mim. Da minha voz rouca, do meu sussurro no telefone, da minha breguice. Vai se lembrar de mim quando sorrir e pensar que eu adoro esse sorriso com buraquinhos na bochecha. Vai se lembrar quando tiver netos e falar que seu primeiro beijo pela web foi uma coisa ridícula e linda. E vai se lembrar de mim quando seus pés tocarem a areia da praia, morna e úmida. E quando os passarinhos cantarem e os leões saírem da jaula. E quando quis fazer Amor comigo. No sofá amarelo ou em qualquer canto desse mundo estranho. Quando desligarem depois de você falar alô. Vai se lembrar de mim quando comer amora e lembrar a cara simpática que ela tem. Vai se lembrar quando as nuvens passarem pelo céu. Quando o cheiro de flores invadir o seu quarto. Quando essas palavras ainda fizerem sentido e você, bela, única e encantadoramente com olhos brilhando, sentir no seu coraçãozinho que um dia você foi minha.
10
Agora o céu e o sol nos banham. O ar que respira é o mesmo que o meu. Fico quieta, intacta, esperando o universo se acalmar. Escrevo cartas, palavras saem da minha boca. Meus olhos começam a brilhar com uma naturalidade de criança. Meu coração ainda suspira, leve e com esparadrapos amarelos. Continuo a ver o céu. Tudo passa muito rápido e lento para eu sentir. Se eu morresse amanhã estaria feliz. Mas ainda espero. Não tenho tanta pressa. Ainda espero no fundo escuro desse mundo que algum pássaro, alguma rosa cintilante suspire e a naturalidade dos olhos dela, meio inocente, meio animal, encontre as minhas de criança.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Final de outro ato. Onde começou?
em qualquer lugar que seja
e chegamos aqui
e cheguei aqui
em círculos como sempre
me leio
me vejo cada vez mais
um não sei o quê
não entendi onde se chega com tudo isso
não basta meu coração dilacerado?
o que mais se quer?
o que mais?
um pesado pé imenso
gigante
pisou-me
e me senti esmagada
com esse sorriso irônico
malvado
com ódio e riso
fiquei intacta
como sempre costumo ficar
um gelo
não entendi mesmo onde se chega com tudo isso
com toda essa ironia
com toda essa demonstração ridícula de afeto alheio
acho que a partir daquele momento
laços se desfizeram
não por mim
por uma realidade invadida
por um fio irônico
que fez questão de repetir
onde não você era a vítima
mas eu
enforcada, pisada e esmagada
quando não te pedi absolutamente nada
e você me veio com tudo
e mais o tudo que ainda faltava
decidi que o sol vai brilhar
sempre
e não me permito continuar sozinha
porque você me bateu na cara tantas vezes
como não percebi isso antes, meu Deus?
não faz sentido continuar sozinha
você me recompensou em dobro
toda essa ironia
essa dor
angústia
pra quê? você não está feliz com isso?
o sol está brilhando tanto pra você
sabemos muito bem
enquanto, depois de eu ter tentado tudo
você não se importou
e agora tenho tanta coisa intalada
mas nao importa, amanhã ou depois eu melhoro
quem sabe
sim, amanhã.
hoje ainda, talvez.
Coisas boas e ruins passam
sempre passam
e virão outras e passarão outras tantas
pra perder
pra doer
como sempre foi
como sempre será.
não entendi onde se chega com tudo isso
mas amanhã eu melhoro
quem sabe hoje.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Sorriso imenso de beira de estrada ao chegar aqui
Deixa-me contar o sorriso. O meu sorriso.
A viagem toda vim olhando a estrada. Tantos anos fazendo o mesmo caminho e todo final de semana a mesma coisa. Nunca havia percebido tamanha beleza. Em meio à mata aquelas casinhas rústicas. Uma nostalgia me bateu na porta. Mas o céu estava lindo e azul. Eu tenho um derretimento por céu azul. Mas o mais bonicto, além do azul intenso e as nuvenzinhas brancas, era o contraste que ele dava com o verde da mata. E de repente aparecia outras casinhas, uma muralha de pedra. Nunca fui tão feliz numa viagem de volta pra Tatuí.
Tirei meu tênis, estiquei meus pés lá no alto. Me senti acolhida por uma bolha gostosa e aconchegante. Dormi só um pouquinho, o que é bom, porque costumo dormir a viagem inteira. O costume atrapalha nossas vidas. É difícil olhar depois, quando você acha que ja olhou tudo.
Estavamos perto, reconheço a estrada, fabricas, loteamentos, ceramicas, ferros velhos. O sol nos giuando. Entramos na cidade. A avenida, os bares-botecos, uma oficina ali. É no alto, então da pra ver uma boa parte da cidade, principalmente a fabrica de tecelagem velha e abandona, que eu nunca entrei na minha vida. Um dia eu entro, com certeza. Lugares velhos, abandonados e emepoeirados me chamam. (seria eu um lugar velho e empoeirado?) Vai o onibus subindo avenida, passando pela praça da Concha Acústica. Avistei uma menina que estudou comigo, que agora mora em São Paulo e faz dança. Linda. Ana Cláudia. Nunca mais nos falamos. Ela subiu e o ônibus virou. Logo a praça do Junqueira. Cesário Mota. A praça que costumavamos ir beber vinho, eu e os meninões, na nossa adolescência rebelde. Continua, atravessa a rua onze, uma rotatória, o conservatório, meio vazio, e chegamos na rodoviária. Calcei o tenis, sai, morrendo de sede. Chegando ao bebedouro avistei uma senhora com carrinho de sorvete. Corri. Ela atendia um rapaz, mas não escutava o que ele falava - eu não escuto o que voce fala, fique a vontade aí pra procurar... - e falou a mesma coisa pra mim: ... oia, tem de leite aqui, ali de frutas, pode ficar a vontade, viu?. Obrigada, respondi sorrindo. O rapaz tinha levado dois picolés de limão. Eu procurava um de groselha, mas não achei, nem me esforcei pra procurar mais fundo. Peguei um de côco. - tchau, obrigada, disse à senhora do sorvete. Era tudo o que eu precisava: um picolé.Não quero mais nada, ah não ser isso, poder admirar tudo, como se nunca nates tivesse visto. Subi a rua XV. Um sol, um calor, meu picolé de côco, todo branco e reluzindo. Doía nos olhos. Decidi não ir de ônibus até minha casa. Já fiquei sentada muito tempo num ônibus. ( um pra ir até a Barra Funda, outro pra chegar em Tatuí). Por isso, resolvi pegar a moto. Subi a rua XV, passei na frente do cinema e estava cheirando pipoca de cinema ( porque pipoca de cinema é diferente da pipoca que se faz em casa). Parei para ver o que estava em cartaz, apenas dois filmes. Um desenho e outro sei lá o que no metro. Toda alegre decidi que hoje iria ao cinema, quem sabe sozinha, quem sabe convidaria alguém, não sei, ainda é tempo de decidir. Pessoas andando pela rua e eu os saudava: Olá, povo tatuiano, estou de volta. Quem seria você? - alguém me perguntaria se me ouvisse. SOu eu, a Cássia, acabei de chegar de São Paulo, mas moro aqui. E então sorrindo o cidadão tatuiano me abraçaria. Povo tatuiano. Sorri muito, o caminho inteiro, tomando meu picolé. Durou acho que, três quarteirões. Cheguei atrás da igreja e joguei meu palito ali numa muretinha. Eu nunca faço isso, mas hoje resolvi joga-lo. Logo após tinha um carrinho de lanche e percebio que tinha um lixo. Burra, pensei, o que custava segurar o palitinho ate agora? Dane-se, joguei mesmo. Passei pelo carrinho de lanche do lado do Unibanco, e havia muita gente ali. Nesse calor, nesse sol, voces comendo um puta de um lanche. Oh. E eu estava com fome, mas fome de outra coisa. Cheguei no escritório onde o meu irmão trabalha, apertei a campainha, duas vezes e ele apareceu. Pedi então que ele me desse a moto. Disse que sim, se eu o fosse buscar às 5 e 30 da tarde. Sim, respondi sorrindo. Peguei o capacete, a chave, o documento e o controle do portão e fui. A cidade cheia de gente, eu e minha moto. Fiz o caminho que costumo fazer, indo por cima, pela Nova Tatuí, porque é um caminho mais bonicto e posso correr mais, sentir o vento no cabelo ( ou o cabelo no vento?) . É uma avenidona enorme que eu costumava fazer minhas caminhadas, mas ha tempos que não faço mais, agora só passo de moto ou de carro. Corri. Um pasto grande, algumas casas, o cééé azul. Que lindo. Respirei fundo e olhava-me no espelho para ver meu sorriso, porque era muito bonito, não posso negar, minha felicidade foi bela. Correndo com a moto comecei a cantar alguma música. Passei por aquela árvore que sempre adorei. É uma árvore bem grande, e parece árvore cinematográfica, por que em dias nublados ela fica muito bem. Ela é seca e eu nunca a vi com flores ou folha. Até hoje. Surpreendi-me e até voltei minha cabeça pra trás para ver se era verdade: a árvore estava mesmo com folhas. Continuei correndo e sorrindo. Um muro novo ali naquela empresa, ai que chato, pensei. Virei, passei em frente a polícia, virei de novo e peguei a avenida mais vazia que eu tambem adoro, a rua deserta onde tem uma ceramica velha ( que até hoje não sei se é abandonada). É uma rua que dá para os pinheiros. Eu sempre faço esse caminho e ele é sempre muito bonicto. Cheguei no meu bairro e fui pela rua do ponto de ônibus, na esperança de ver a menina do ponto de ônibus. Nada. Nunca mais a vi. Que pena, ela me sorria lindamente, e os sorrisos sempre me derretiam. Como se nos conhecessemos há muito tempo. Desde a primeir vez ela me olhou muito lindo e então passei a retribui-la com olhares e sorrisos. Por onde andas, menina do ponto de ônibus? Há dias que passo e nunca mais te vi. Apareça, mande carrta, mande um sorriso, por favor. Olhe pra trás quando passar por mim. - Não a vi. Dessorri por um momento. Mas logo cheguei em casa. Minha casa. Entrei correndo porque precisava muito fazer xixi, e esse é um problema que tenho. Fico desesperada, não consigo achar a chave, preciso sentar e respirar. Abri e entrei. Um frescor de casa minha invadiu-me, bateu-me no rosto, no cabelo, os pés, o nariz. Invadiu-me. Abri todas as janelas pra deixar a luz entrar, como ela deve entrar, me iluminando. Estou tendo momentos agradáveis com iluminação em geral. No jardim que não é um jardim, que dá pra janela do meu quarto, nasceu uma planta e agora ela está florindo. Florzinhas pequenas e arroxeadas. Vou falar para não a cortarem. Preciso plantar algo ali. Um pé de amora? Seria lindo. Cerejeira? Também. Rosas, copos de leite, tudo tudo tudo. Vou plantar meu sorriso que cultivei a viagem toda. Vou me plantar ali. Seria eu uma flor? Que nada. Admiro-as, de facto. Admiro tanta coisa. Agradeci mesmo por eu ter olhos e ouvidos e poder ver todas essas cores e poder ouvir músicas bonictas, agradáveis.
Agradeci por estar de volta. Agradeci por estar em São Paulo também. O que seria daqui se eu não estivesse lá? Agradeci por tudo, porque afinal, tenho tudo o que eu preciso. Não peço coisas absurdas. De vez em quando talvez, é bom sonhar. É muito bom sonhar.
Tomei um banho ouvindo música bem alto, como sempre faço. Corro pela casa, danço, faço careta. Vim escrever, porque eu precisava dividir isso, meu empoeirado quarto, e ninguém melhor do que você prame ouvir. Nada melhor do que eu mesma pra saber das coisas. Senti um egoísmo ai. Você também, né. Estou assim hoje. Acho que vou mesmo sozinha ao cinema. Não é que eu nego as pessoas, elas me negam, então não faço muitas questões de algumas coisas. Na verdade eu tenho preguiça. E ver o que é belo não custa-me nada. Acresceta-me.
Atémais vê-lo, senhores. Senhoras, me desculpem, mas hoje estou pra mim. Hoje estou pra Tatuí. Quem sabe amanhã. E vai indo que eu não vou.