sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Nada dilatado de ambiguidade

Quero ser assim,um nada e em nada pensar e ver o que é ser nada.
Porque nada não é nada,só de ser nada já é alguma coisa. Se eu faço nada eu faço nada,assim,fazendo. Cansei de ir e vir e ficar assim,quieta,tristonha,impotente. Ambíguo,meu bem. Sentimentos ambíguos que eu nem sei quando isso acaba,se é que isso acaba. Sabe,quando a chuva é fria e parece te queimar na pele cada gota que chega. Então depois se refresca e você pisa em uma pedra,algo afincando no pé e o desespero e a chuva caindo,o cabelo no rosto,a mão lisa...sua pele já não é mais a mesma,você já não é mais o mesmo. Pára de repente entre os batentes da porta,coloca uma mão no alto,apoiando-se e olha as partíulas de pó em uma faixa de luz que vem da janela. E pensa em alguma coisa,o tempo dilatado e seu rosto é agonia e calma.
É tudo muito lento e o coração acelera tum tum tum,num ritmo inimaginável e o sangue é pulsado assim,plum pluummmm e um calor na espinha.
Acabou. Acabou de começar.
O dia inteiro oscila entre arroz com carne e cenouras até o PPLIC da torradeira com o pão quase torrado.
E acorda sozinha,a casa silenciosa,lá fora o barulho de chuva com passarinhos bonitinhos cantando,seu rosto ainda dormindo e remelento. Comer o que? Nem estou com fome. Mas que merda,que porra...que vida estranha. Almoço,depois o banho e sai ter abraços aconchegantes e volta: casa vazia,luzes acesas de vestígios que alguém passou por ali e saiu com pressa. Meia noite e ainda não há ninguém em casa,a música toca o dia todo mesmo que eu não escute.
Acabou.
Na verdade eu interrompo tudo com uma enorme escuridão de sono,de frio...
Quer ir para onde,meu anjo?
- para o nada.

Nenhum comentário: