sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Na terra,na imagem... marrom.

Era assim,normalzinha. Aos olhos de quem vê não é nada.É uma simples pessoa,uma menina que passa,que anda pela rua e pára olhar vitrines ou ver seu reflexo no vidro.Seu reflexo ofuscado pela luz do sol. O que ela pensa no momento,fica no ar,pairando,porque ela não consegue concluir os pensamentos e prefere não concluí-los mesmo. Ela só é.Vou dar um vestido marrom para ela;sei que sua cor predileta é o marrom. Marrom? Mar-ron? Tão encantadora. Nunca vi nínguém que gostasse de marrom. Não sei,mas o marrom é uma cor tão pobre e desfeita. Se fosse lá um amarelo claro,um azul piscina mas....marrom? Sim. É,oras. Talvez eu goste dela pelo fato de ela gostar dessa cor. Porque no fundo,ainda é engraçado e...ela é especial porque só ela gosta de marrom. Mais ninguém. Ela não precisa ficar discutindo com alguém que gosta de laranja,porque ela sempre vai gostar de marrom e quando for comprar um sapato,ele será marrom,e um lápis,ou uma camiseta...chocolate,sempre marrom. Não que ela negue outras cores,pois cada uma com sua beleza. Só que marrom foi sorteado. Então eu a imagino com uma roupa marrom. Única. Um laço marrom. Quem sabe se suas meias não são marrom? Inteira.
E não haveria graça mesmo se eu a visse comprando qualquer coisa que fosse vermelho. Mentira. Porque eu gosto de vermelho,e se fosse para ela comprar vermelho,que fosse para mim. E então seria duas cores: vermelho e marrom. E depois íamos adicionando mais. Vermelho,marrom e branco.Branco,vermelho,marrom e cinza. Alías,eu faria questão disso,pois sei que por ela só marrom completaria. Eu,que sou assim,um tanto chato e implicante,aceitaria.
Sim,porque não?
Marrom...!!!
...e se eu perguntasse para ela que animal ela seria?
- Cavalo.
Simples e linda assim.
Sabe,ela diz que adoraria correr pelo campo aberto e ter a crina comprida para balançar na hora da corrida,pra lá e pra cá,e o vento batendo.E não desejaria nada além,só correr e ter um pouco de comida e água.
Eu disse que queria ser um gato. Gatos são animaizinhos bonitos e geralmente todo mundo gosta,carrega no colo,faz carinho e adula bastante.Eu seria um gato branco,lindo,pomposo e exuberante.
Ela um cavalo,eu um gato. Sim,cavalo,não égua.
Mas aí ela morreu.
Feliz.... bem feliz.
Eu: não entreguei o vestido;não me escondo pelas esquinas para vê-la passar e se olhar na vitrine.
Ela: morte qualquer,porque ninguém sabe do que morre meninas assim;ou até sabem,mas é inútil.
Feliz,bem feliz...
O caixão era marrom.
A terra também.

2 comentários:

jonesandblah disse...

... HOLY FUCK!. . . mto bom garota!. . . :D ...
... esse texto me remete infância, birras, choros, bla bla bla. . . enfim: minha infância conturbada. . . ;D ...
... porém, tem um desfecho surpreendente, eu diria, do caralho!. . . ( até engasguei! ) ...
... está mto bem escrito. . . bom, realmente parabéns!...
... :D ...

Anônimo disse...

Nossa! Que lindo!

Nao me lembra minha infacia...Mas algo unico...Especial...

Muito bem escrito, concordo!

bjos