quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cartas Tombadas - III

Dia de novembro.

Dias de calor, Maria. Dias loucos de calor. Mas hoje vai chover, o dia amanheceu cinza e já chuviscou nessa terra abençoada.
Você choverá na horta? E se eu morrer de secura?
Lulu deve estar com medo desses relâmpagos, que no céu, devem ser mais intensos. Pode ser que, cada vez que ele lata, um trovão se manifeste por aqui. Mas eu não sei. Nem sei se saberei um dia. Nem sei se existe céu, se existe vida, se existe isto, que chamamos de nós.
Mas eu e você existimos e eu confirmo isso, sabe como, bonictinha, porque a saudade que sinto de você é muito forte, então deve ser isso mesmo. Entendeu? Não importa.
Estou com fome, morrendo de vontade de comer aquela sua sopa de feijão. O resto ia tudo pro Lulu... que está enterrado no quintal da Antonieta. Sim, eu já te disse, na outra carta, mas repito, caso ela não tenha chegado ainda. Fome, estou com fome mesmo. Estou só, somente só. Se Lulu estivesse, estaria dormindo encostado no meu pé do lado do sofá. Que criatura agradável que ele era.

Mande lembranças.
Chova por aqui.
Chore por mim.

Abraços de lágrimas... boas.

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